Fim da escala 6x1 e o impacto no trabalho formal no Brasil
- Gustavo Passos

- há 12 horas
- 2 min de leitura

Vi de perto uma euforia parecida com o debate sobre o fim da escala 6x1 se tornar precarização
Há alguns anos, como executivo de uma empresa de diagnóstico por imagem, vivenciei um cenário pedagógico. Nossa operação sempre cumpriu rigorosamente as exigências legais e os conselhos de classe — neste caso específico, os técnicos de radiologia.
Em 2018, a categoria conquistou o direito de ter o piso salarial referenciado pelo salário mínimo do Estado do Rio de Janeiro. Na prática, isso representou um aumento imediato de 60% na folha daquela função. Houve uma belíssima e legítima comemoração pelos corredores e nos grupos de WhatsApp.
A euforia, porém, colidiu com a realidade financeira. Apenas dois meses depois, iniciou-se o projeto de terceirização da mão de obra dos técnicos.
Estive à frente desse processo de transição. Operacionalmente, não tivemos prejuízos; a empresa seguia em expansão e as novas unidades já nasceram dentro desse novo modelo. Mas o impacto social na base de colaboradores foi profundo.
A meu ver, as regras do jogo precisam ser combinadas antes de a bola rolar.
O fim da escala 6x1, se feito sem contrapartidas econômicas, tende a gerar um efeito cascata preocupante. A alteração representa um aumento abrupto de custo em um momento já complexo para o empresário brasileiro — especialmente o micro e pequeno empreendedor.
Diante do sufoco no caixa, esse empreendedor se verá diante de duas alternativas ingratas: a informalidade ou a terceirização.
E aí precisamos fazer as perguntas incômodas:
Qual será a escala real dentro de um modelo terceirizado?
Como ficará a flexibilidade de horários?
Qual será a remuneração líquida final?
Qual é a real capacidade técnica e de barganha que a base da pirâmide possui para negociar contratos individuais (PJ/Prestação de Serviços)?
Se não houver um equilíbrio que dê ao empresário uma contrapartida real para absorver esse impacto sem demitir, o desfecho dessa história já é conhecido: um Judiciário ainda mais sobrecarregado com processos trabalhistas discutindo as fronteiras da terceirização.
Proteger o trabalhador também passa por garantir a sustentabilidade de quem gera o emprego.
O que você pensa sobre os impactos práticos dessa transição no dia a dia das empresas?



Comentários